Imagem defesa civil marca dagua cuidadosA Diretoria de Vigilância Sanitária, através da Gerência em Saúde Ambiental, emite Nota técnica alertando para as ações das Vigilâncias Sanitárias Regionais e Municipais, necessárias após as enchentes, visando à proteção da saúde da população e do meio ambiente.


1. CUIDADOS DURANTE AS ENCHENTES

As águas das enchentes são consideradas potencialmente poluídas, pois entram em contato direto com esgoto, lixo, produtos químicos e uma série de outras impurezas, desta forma podendo transmitir doenças como:

• Leptospirose
• Hepatite A e E
• Gastroenterites Agudas (ingestão de água ou alimentos contaminados)
• Tétano Acidental
• Febre Tifóide (causada pela Salmonella typhi, bactéria encontrada nas fezes de animais).

Com isso, o contato com essas águas ou a lama gerada durante um evento dessa natureza deve ser evitado.

Se o contato com as águas ou lama de enchentes for inevitável, devem ser tomados os seguintes cuidados:

1.1 Permanecer o menor tempo possível na água ou lama, de preferência usando botas de borracha e luvas, ou sacos plásticos para manusear objetos que tenham sido atingidos pelas águas;

1.2 Crianças não devem nadar ou brincar na água das enchentes. Além das doenças transmitidas pela água existem os riscos de acidentes graves como afogamentos, provocados pela rapidez do deslocamento da água, buracos no pavimento, bueiros abertos, etc.

1.3 Alimentos dispostos em embalagens não impermeáveis devem ser descartados se tiverem entrado em contato com as águas ou lama;

1.4 Os medicamentos que tiverem entrado em contato com a água ou lama devem ser separados para posteriormente terem um descarte ambientalmente adequado;

1.5 Em épocas de enchentes, os sistemas de abastecimento de água normalmente sofrem algum tipo de dano, seja na captação, tratamento ou rede de distribuição. Nesse caso, deve ser garantido que a população tenha acesso a água dentro dos padrões de potabilidade, observando a dosagem mínima de cloro residual livre recomendada (0,2 a 5 mg/L) na rede de distribuição ou nas águas provenientes de sistemas alternativos coletivos de abastecimento (poço, nascente, mina);

1.6 Quando forem utilizados carros pipas para fornecimento de água para consumo humano, deverá ser assegurado que a água fornecida contenha um teor mínimo de cloro residual livre de 0,5 mg/L, bem como manter registro com dados atualizados sobre o fornecedor e fonte de água. O veículo transportador deverá estar licenciado pela Vigilância Sanitária e conter de forma visível a inscrição ÁGUA POTÁVEL e os dados de endereço e telefone para contato.

1.7 As VISAS Regionais e Municipais devem manter estoque de Hipoclorito de Sódio 2,5% para utilização, especialmente em épocas de emergência, orientando a população para adicionar duas gotas do produto por litro de água, aguardando 30 minutos de contato antes de utilizar;

1.8 Alternativamente, a água pode ser fervida por no mínimo 5 minutos, lembrando que por questões organolépticas, ou seja, sabor antes de ingerir deve-se fazer a oxigenação da água, agitando-a com uma colher ou repassando-a de um recipiente para outro;

1.9 Deve-se utilizar água potável para limpeza de utensílios e preparo dos alimentos;

1.10 Lavar bem as mãos com sabão após usar o banheiro, após ter manuseado objetos que tenham entrado em contato com a água ou lama das enchentes, principalmente antes do preparo de alimentos e aos cuidados com crianças;

1.11 Animais Venenosos ou Peçonhentos - Com as enchentes muitos animais saem de seus habitats naturais em busca de abrigo nas residências atingidas. Podem ser encontrados em frestas, sob móveis ou dentro deles, assim como em roupas e calçados. Nesses casos, as orientações a serem seguidas são:

• Utilizar sempre calçados fechados, como botas, tênis, etc; 
• Não colocar a mão desprotegida em buracos, frestas, gavetas, sob móveis, etc;
• Verificar roupas e calçados antes de usar;
• Não tocar em animais venenosos ou peçonhentos mesmo que estejam ou pareçam mortos, pois eles ainda contêm o veneno ou peçonha;
• Em caso de se deparar com pessoas que tenham sofrido acidente com animais peçonhentos ou venenosos, encaminhar o acidentado para socorro médico urgente, tentando identificar o tipo de animal, para que se administre o antídoto especifico.

1.12 O esgotamento físico e mental é comum tanto da população afetada quanto das equipes atuantes nos eventos adversos. Diante disso, é recomendável:
• Ingerir bastante líquido;
• Evitar excesso de cafeína;
• Repousar, quando possível;
• Informar à Assistência Social a percepção de sintomas de esgotamento físico e mental, que requeiram cuidados especiais.


1.13 Abrigos – Os abrigos são locais de acolhimento de pessoas desabrigadas diante de uma situação de emergência, com objetivo de satisfazer temporariamente as necessidades físicas e sociais, individuais e coletivas da população afetada por um evento adverso, dispensando-lhes atendimentos como: alimentação, cuidados médicos, vestuário, privacidade, educação em saúde, assistência social, atendimento psicológico e outras.

Além de serem decisivos para a preservação da dignidade humana e a sobrevivência das pessoas atingidas por desastres, os abrigos contribuem para a sustentação da vida familiar e em comunidade.

É importante que as equipes das VISAS Regionais e Municipais observem as orientações contidas no Folder SAIBA COMO AGIR EM CASOS DE ENCHENTES – ABRIGOS

Disponibilizado no site da Diretoria de Vigilância Sanitária Estadual, no endereço eletrônico (vigilanciasanitaria.sc.gov.br), no link – Informações/Enchentes.

http://www.vigilanciasanitaria.sc.gov.br/phocadownload/Noticias/2015/cartilha-abrigo-2014-3.pdf

2. CUIDADOS APÓS AS ENCHENTES

2.1 - QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO

Atentar-se se a água para consumo humano está dentro dos padrões de potabilidade estabelecido na Portaria 2914/2011, principalmente no que diz respeito aos parâmetros básicos, ou seja, Turbidez, Coliformes Totais, Escherichia Coli e Cloro Residual Livre. A Vigilância Sanitária poderá a qualquer tempo solicitar análises extras dos prestadores de serviços de abastecimento de água ou caso seja necessário a realização de análises extras de monitoramento de vigilância sanitária deverá solicitar auxílio a Gerencia em Saúde Ambiental (48-3251-7972) para agendamento junto ao Lacen.

Obs: água para consumo humano: é toda água potável destinada à ingestão, preparação e produção de alimentos e à higiene pessoal.

2.1.1 - ÁGUA PARA INGESTÃO E PREPARO DE ALIMENTOS

Por nível de prioridade, orientar o consumo de:

• Água Tratada, contendo cloro residual livre entre 0,2 e 5 mg/L conforme Portaria 2914/2011;
• Água engarrafada de procedência conhecida e dentro do prazo de validade;
• Água desinfetada com Hipoclorito de Sódio 2,5% - se atentando a recomendação da rotulagem para quantidade adicionada e tempo mínimo de contato do produto adicionado.
• Água fervida por no mínimo 5 minutos;

Obs: As equipes das VISAS deverão orientar para que não seja utilizada/consumida água que tenha entrado em contato com água oriundas da enchente para ingestão, higiene pessoal, lavar louças, preparar alimentos, incluindo a pré-lavagem dos alimentos e preparação de gelos.

2.2 - AÇÕES REFERENTES A MEDICAMENTOS

As equipes das VISAS devem observar o disposto na NOTA TÉCNICA N° 001/14/DIVS/SES que orienta sobre conduta para inutilização de medicamentos e substâncias medicamentosas avariadas, devido à ocorrência de enxurradas e alagamentos ou outras formas de exposição, bem como sobre o acondicionamento, transporte e destinação dos resíduos de medicamentos. Disponibilizado no site da Diretoria de Vigilância Sanitária Estadual, no endereço eletrônico (vigilanciasanitaria.sc.gov.br), no link – Informações/Enchentes: NOTA TÉCNICA N° 0001/14/DIVS/SES. http://www.vigilanciasanitaria.sc.gov.br/index.php/enchentes-02

2.3 - AÇÕES REFERENTES A ALIMENTOS

Os alimentos que entraram em contato com a água da enchente não podem ser consumidos e nem comercializados.

Fiscalização nos estabelecimentos comerciais

Os fiscais de Vigilância Sanitária devem fiscalizar o comércio de alimentos com o objetivo de evitar que alimentos que tiveram contato com águas da enchente sejam comercializados.

2.4 - CUIDADOS COM DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

De acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica da SES/SC, casos de leptospirose costumam aumentar após alagamentos e enchentes, quando as águas ainda estão baixando, ou quando as pessoas retornam às suas residências e fazem a limpeza das casas.
Todos os municípios atingidos por inundações devem ficar em alerta, devendo disseminar informações sobre vigilância, prevenção e controle da leptospirose para serviços e profissionais de saúde, além de buscar orientar a população sobre os sintomas, mecanismos de transmissão e medidas para evitar a doença.

“Profissionais de saúde, tanto os que atuam em Vigilância Epidemiológica ou Sanitária quanto os que atuam na atenção básica, devem estar atentos aos casos suspeitos, e preparados para visitar e monitorar regiões atingidas pelos alagamentos”. O objetivo é determinar as características da área, a população atingida, realizar a busca de casos e encaminhamento de suspeitas para unidades de saúde.

É preciso, também, estar atento à presença de animais peçonhentos, como serpentes, aranhas e escorpiões em regiões alagadas. Desabrigados, eles procuram locais secos e costumam invadir as residências, aumentando o risco de acidentes.
Para mais informações acessar o site do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) (www.cit.sc.gov.br/site/)

Há ainda a preocupação com doenças diarréicas agudas, doenças respiratórias e tétano acidental.

Ver alerta Epidemiológico no site da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (www.dive.sc.gov.br)

http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/publicacoes/Alerta_Epidemiologico_Enchente_2017.pdf

2.5 – A VOLTA ÀS CASAS

A volta às casas após os eventos adversos provocados por inundações servem de alento às pessoas afetadas pelo desastre, por poderem retornar ao que é seu, mesmo que tenham perdido muitos dos bens adquiridos.

O retorno às comunidades atingidas, no entanto, pode representar uma série de riscos, relacionado com os possíveis danos causados às estruturas das casas, ao contato com a água e a lama contaminadas das inundações, à rede energizada das residências, à presença de animais peçonhentos, aos cortes e ferimentos provocados por objetos contaminados e outras situações que podem provocar agravos à saúde da população.
Dessa forma, deve-se repassar as seguintes orientações a respeito dos cuidados que devem ser observados pela população na volta às casas:

• Observar se as estruturas das casas oferecem condições para habitação;
• Verificar se a energia elétrica está desligada. A orientação à população é que, caso possível, no momento em que sair de casa, seja feito o desligamento de todos os disjuntores, para evitar que as fiações umedecidas pelas inundações provoquem curto circuitos e choques elétricos graves, com danos secundários à saúde das pessoas;

• Caso não tenha sido feito o desligamento dos disjuntores ao sair, fazer o desligamento dos mesmos antes de acessar a habitação, usando calçado de borracha e instrumento apropriado para não tocar diretamente nos interruptores;

• Com a energia desligada, lavar todas as tomadas, bocais de lãmpadas e interruptores que tenham entrado em contato com as águas, somente religando a energia quando se certificar que todos esse pontos estiverem absolutamente secos;

• Verificar se o abastecimento de água se normalizou;

• Tomar cuidados especiais com a presença de animais venenosos e peçonhentos (cobras, aranhas, escorpiões) no interior da residência e dentro de mobiliários, calçados, etc;

• Não colocar as mãos em buracos ou frestas. Usar ferramentas como enxadas, cabos de vassoura e pedaços compridos de madeira para mexer nos móveis para verificar a existência de animais venenosos ou peçonhentos;

• Não tocar em animais venenosos ou peçonhentos mesmo que pareçam estar mortos, pois eles podem ainda ser prejudiciais à saúde;

• Não entrar em contato com a água e lama contaminada. Usar botas e luvas de borracha, evitanto dessa forma ferimentos que podem causar o tétano ou acontaminação por leptospirose, além de outras doenças relacionadas a esse tipo de evento;

• Lavar e esfregar toda a casa com solução de hipoclorito de sódio ou água sanitária, ambos na proporção de 2 litros de desinfetante para 1.000 litros de água;

• Fazer a limpeza e desinfecção das caixas d'águas - Ver item 2.7;

• Remover o lodo, os entulhos e o lixo dos quintais, colocando-os em frente às casas para serem recolhidos pelos serviços de coleta e destino final executados pelos serviços públicos. A coleta deve ser rapidamente reativada para evitar que os entulhos, lixo, lodo, animais mortos, etc retornem aos rios, provocando o açoreamento e a possibilidade de novas inundações;

• Fazer a verificação da situação dos sistemas individuais de destino final de dejetos. Se estiverem destruídos ou danificados, promover sua reconstrução. As equipes da Vigilância Sanitária e Vigilância Ambiental repassarão as instruções necessária para a reconstrução desses sistemas;

• Providenciar a distribuição de Hipoclorito de Sódio 2,5% à população afetada, para garantir a desinfecção da água para consumo, até que a distribuição seja normalizada pelos prestadores de abastecimento de água.

2.6 - LIMPEZA DAS CAIXAS D’ÁGUA – Afetadas ou não pelas inundações, é importante que as caixas de água sejam higienizadas e desinfetadas após o evento, considerando que pode ter ocorrido o rompimento da rede de distribuição e o carreamento de sujeiras para dentro dos reservatórios. Ver instruções completas sobre limpeza de caixas de água no site:
http://www.vigilanciasanitaria.sc.gov.br/index.php/enchentes


2.7 - ANIMAIS MORTOS - Na limpeza das áreas urbanas e rurais deverá ser realizada a seguinte destinação dos animais mortos:

• Animais de pequeno porte, como roedores, aves, gatos e cachorros, em áreas urbanas, deverão ser acondicionados em sacos plásticos e encaminhados aos aterros sanitários.
• Animais de grande porte (vacas, cavalos) deverão ser enterrados o mais rapidamente possível em valas com profundidade adequada, recobertos com uma camada de cal e terra.
• Caso o número de animais mortos seja muito grande, orientar para o lançamento de cal sobre os corpos dos animais para evitar a proliferação de vetores e microorganismos capazes de provocar problemas de saúde pública. Tal ação serve apenas como medida paliativa, devendo os animais serem enterrados assim que a situação permitir;

2.8 – RESÍDUOS SÓLIDOS

• Avaliar e encaminhar solicitação à área técnica responsável do município, para apresentação de medidas voltadas para a solução/recuperação rápida da freqüência da coleta de resíduos sólidos e de serviços de saúde que tenha sofrido interrupção ou redução devido ao evento adverso;
• Discutir com os setores próprios da Gestão Municipal a necessidade de implementação de serviços de coleta dos entulhos (móveis, utensílios e outros) destruídos pelas inundações;
• Estabelecer com a área de limpeza urbana do município atingido, a necessidade de intensificar a coleta e a disposição adequada dos resíduos sólidos nos abrigos e áreas críticas/vulneráveis, evitando o acúmulo de lixo;
• Verificar as condições de operação dos sistemas de disposição final de resíduos sólidos urbanos e industriais (aterros sanitários, áreas de transbordo, etc), eventualmente atingidos pelas enchentes, que possam potencializar riscos e agravos à saúde da população, contaminação do solo e de cursos de água.

2.9 – RESÍDUOS QUÍMICOS

• Monitorar em conjunto com os órgãos/instituições de meio ambiente o processo de limpeza e recuperação de áreas afetadas por produtos químicos, utilizando sempre equipamentos de proteção individual, para evitar acidentes toxicológicos;
• Na existência de áreas caracterizadas por contaminação química restringir o acesso por parte da população na área afetada;
• Orientar os responsáveis pela coleta de resíduos do município atingido, para que os resíduos químicos sejam coletados, transportados e encaminhados para disposição final em aterros próprios para essa finalidade;
• Estabelecer controle especial para reduzir os riscos com a utilização/exposição a produtos desinfetantes, praguicidas, saneantes e outras substâncias, produtos e insumos que tenham sido expostos às águas das inundações e perdido suas rotulagens e instruções de uso, orientando seu descarte de acordo com a legislação em vigor;

2.10 – VETORES

• Desenvolver medidas de controle de roedores e outros vetores, especialmente nos abrigos;
• Identificar áreas potenciais para reservatórios, proliferação de vetores e abrigos de animais peçonhentos;
• Orientar as ações previstas nos programas de controle de doenças transmitidas por vetores principalmente nos abrigos e áreas de adensamento populacional como forma de evitar a proliferação de roedores, mosquitos e outros vetores;
• As VISAs Regionais deverão disponibilizar aos técnicos e aos municípios afetados as Notas Técnicas e os Informes destinados a encaminhar as medidas adequadas para controle da exposição a vetores e animais venenosos e peçonhentos, assim como orientar para com os cuidados e assistência necessários.

2.11 – EDUCAÇÃO EM SAÚDE

As equipes das VISAS Regionais e Municipais devem, em conjunto com as demais equipes da saúde, promover o processo de Educação em Saúde, tanto nos abrigos quanto nas comunidades atingidas.

• Nas ocorrências de desastres provocados por inundações, as populações atingidas ficam muito sensíveis ao processo de Educação Sanitária, que deve direcionar os ensinamentos de forma prática e relacionados aos eventos que estão sendo vivenciados.
• A Educação Sanitária é uma metodologia que tem por objetivo permitir que as pessoas das comunidades afetadas interajam de forma construtiva e participativa em busca da promoção, proteção e recuperação da saúde.

 

Para acessar folders e outras informações e orientações sobre Enchentes, clique aqui.

Florianópolis, 11 de janeiro de 2018.



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