DIVS/SC ALERTA: CASOS DE LER/DORT REVELAM RITMO EXTENUANTE DE TRABALHO

Infográfico com o título 'Como está a saúde de quem trabalha em Santa Catarina?'. Na parte superior, ilustração em tons de azul de um trabalhador em galpão logístico com esteiras, caixas e um relógio na parede, acompanhada do texto 'Alerta E-commerce: O ritmo é ditado por algoritmos, não pela fisiologia', informando que operários percorrem cerca de 10 km por dia e manuseiam entre 600 e 700 peças diariamente.  No centro, destaque para o dado 'Aumento de 34% nas notificações de LER/DORT', comparando os anos de 2024 e 2025 com base no SINAN NET em Santa Catarina, ao lado de ícone de articulação do joelho com sinal de dor.  À direita, gráfico de barras sobre subnotificação de CAT, mostrando 18,4% em 2024 e 62,7% em 2025, com texto explicativo sobre o 'silêncio' nos dados quando o campo é ignorado.  Na parte inferior, seção sobre contexto previdenciário versus vigilância, com ilustração de funil indicando 'Previdência Social (2024) +14 mil casos registrados' e menção ao nexo causal. Há também explicação de que apenas uma fração dos casos chega à Vigilância Sanitária com nexo estabelecido.  Ao final, a frase em destaque 'A dor não é parte do ofício.' seguida da recomendação de investir em ergonomia, pausas e prevenção. Na base do material aparecem as logomarcas do SUS, Vigilância Sanitária de Santa Catarina e Governo de Santa Catarina – Secretaria de Estado da Saúde.No dia 28 de fevereiro, o Dia Internacional de Prevenção às LER/DORT ganhou um novo contorno em Santa Catarina. As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são síndromes clínicas que afetam músculos, nervos e tendões, causadas por movimentos repetitivos, postura inadequada sobrecarga física no trabalho, causando dor e perda de força. Elas permanecem como o segundo principal motivo de afastamento previdenciário no Brasil, atrás apenas dos transtornos mentais.

A Diretoria de Vigilância Sanitária, por meio da Gerência de Saúde do Trabalhador (GESAT), acende o alerta para as condições de trabalho que podem estar levando a um aumento nos casos de LER/DORT. Um debate recente promovido pela Fundacentro, reunindo especialistas da USP, UNIFESP e UNICAMP, além de ex-trabalhadores do setor, trouxe à tona dados alarmantes da "fábrica invisível": operários de logística chegam a percorrer 10 km por dia dentro dos galpões, manuseando entre 600 a 700 peças diariamente. O ritmo, ditado por algoritmos, ignora a fisiologia humana e reflete diretamente nos índices de adoecimento no estado.

SUBNOTIFICAÇÃO E O "SILÊNCIO" NOS DADOS
Em Santa Catarina, os dados do SINAN NET mostram um aumento de 34% nas notificações de LER/DORT entre 2024 (196 casos) e 2025 (263 casos). Entretanto, o que mais preocupa as autoridades sanitárias é a omissão de dados sobre a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Em 2025, o índice de informações "ignoradas" sobre a emissão de CAT nas fichas de notificação saltou para 62,7%, contra 18,4% no ano anterior. "A dor não é parte do ofício. Quando um notificador ignora o campo da CAT ou o trabalhador teme a notificação, perdemos a chance de intervir no ambiente que adoece", afirma a Gerência de Saúde do Trabalhador (GESAT). O contraste com os dados da Previdência Social é nítido: enquanto o Anuário do Ministério da Previdência Social de 2024 registrou mais de 14 mil casos de lesões musculoesqueléticas no setor formal catarinense, apenas uma fração chega ao sistema de vigilância com o nexo causal devidamente estabelecido.

AÇÃO NECESSÁRIA: NOTIFICAR PARA PROTEGER
A GESAT reforça que a adequada notificação no e-SUS SINAN é uma das principais ferramentas de defesa da classe trabalhadora. "A notificação permite enxergar onde o trabalhador adoece", reforça a Gerência. A prevenção efetiva exige o cumprimento da NR17 (Ergonomia), atacando o problema central: o ritmo abusivo.

Florianópolis, 03 de março de 2026.